segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

DRA. ZILDA ARNS NEUMANN

Adeus!
E nós também vamos um pouquinho juntas, porque ela representa o melhor pedaço de cada um de nós, seres humanos em geral e, mulheres, em especial. Bem como, através do seu exemplo, ficamos mais fortalecidos para seguir adiante.
Com ela e o seu trabalho dá para sabermos perfeitamente porque somos chamados para ser sal da terra e luz para o mundo. Espíritos como a Dra. Zilda aparecem no meio das gerações nascidos para nos lembrar como é para ser o verdadeiro cristão. Eles vêm testemunhar!
Enquanto os meus olhos registravam, quase aleatoriamente as cenas daquele funeral histórico, os meus ouvidos puseram-se, como poucas vezes na vida, a ouvir enquanto trabalhava.
Ali obtive algumas respostas cruciais para as minhas eternas buscas. Os depoimentos completavam lacunas naquela minha admiração e respeito que nutria pela Dra. Zilda Arns, que se assinava Neumann, também.
Cada um dos entrevistados falava de uma faceta montando o meu quebra-cabeça e reforçando o meu aquebrantado espírito cristão. Familiares, autoridades, políticos, amigos e colaboradores diretos como a Irmã Rosangela Altoé - que estava com ela na hora da sua morte – ressaltavam o legado, a fé e o carinho pela sua missão.
Irmã Rosângela descreveu a felicidade com que a Dra. Zilda respondia à ânsia dos haitianos em querer saber mais sobre a Pastoral da Criança e isto a deixou em estado de graça, “Muito alegre.” Altoé, destacava o estado de espírito da médica, mostrando que aquele momento não poderia ser de todo, triste e muito menos, injusto. Enquanto falava, Irmã Rosângela mergulhava de volta, buscando rever para entender e, finalmente, compreender que a Dra. Zilda deu a sua vida pela missão. Com alegria e fé.
“Ela estava muito feliz”, repetia Irmã Rosangela. Ela disse que a Doutora havia terminado a palestra, conversava com um padre e, que as suas últimas palavras haviam sido que a “Pastoral da Criança é uma pastoral essencialmente de amor”. Com o desabamento que aconteceu na igreja em que estavam, Doutora Zilda morreu na hora e o padre, com quem conversava, sobreviveu. Um dos filhos dela disse que ela morreu em pé, trabalhando, como sempre pedia nas três Ave-Marias que rezada junto aos filhos pequenos.
Naquele funeral a dor não foi manifesta com sofrimento dilacerante. Havia serenidade, compreensão e a vida fluindo como em qualquer grande acontecimento da vida. Os profissionais da imprensa estavam em busca da competência, num estresse que procuravam controlar e, sem vaidades aparentes, colaboravam entre si. Os políticos caprichavam nas palavras porque, afinal, Doutora Zilda merecia que tudo fosse politicamente correto. O governador José Serra, não ousou dizer que ela o apoiava explicitamente nas suas candidaturas, mas, definiu que sempre foram parceiros e que ela sempre torcia muito por ele e também sempre estiveram muito próximos. “Os netos dela queriam me conhecer (durante o velório) porque sempre ouviram falar de mim em casa”, ilustrou, aproveitando a oportunidade.
Serra definiu o trabalho individual da doutora Zilda e, da equipe de voluntários, como sendo o único no Brasil que fez diminuir, de fato, a mortalidade infantil.
Hoje, o trabalho que começou pequeno e simples em Florestópolis, no interior do Paraná, está espalhado em 20 paises, ajudando a salvar milhões de crianças, fazendo a Doutora Zilda ser indicada para o Prêmio Nobel da Paz em 2006.
Um dos políticos presentes lembrou que ela precisaria ser indicada novamente, de forma póstuma, prevendo que desta vez ela o receberia.
Uma integrante do Conselho Fiscal da Pastoral, falou que ela morreu como uma estrela atraindo a atenção do mundo sobre a sua missão. Foi verdadeiramente uma morte emblemática porque a Doutora a vida inteira esteve interessada nos mais pobres e fez desta percepção a sua vida, findando-a no mais miserável país das Américas, durante a maior catástrofe do Haiti.
O presidente Lula chegou emocionado e atrasado do Maranhão onde estivera naquele dia. Nós, da imprensa, o aguardávamos quase sem nos mexer perto de três horas, para não perdermos as nossas posições. Um sacrifício que valeu a pena pelo sentimento de missão cumprida em registrar a última homenagem desta grande e iluminada mulher brasileira.
Como disse o presidente Lula: “Que a partir do exemplo dela todos nós sejamos mais humanistas e solidários e olhemos com mais carinho para o nosso próximo, porque às vezes com pequenos gestos podemos ajudar”.



















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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

2+0+1+0 = 3

O título da crônica, por ora, é este mesmo. Sabe aquela falta de assunto específico? Pois é, na ausência do quê falar... vou criar! Como sou uma pessoa normalíssima, portanto, também tenho um pouco de médico, poeta e louco, um tiquinho do profeta que vou misturando para virar artista. Artista cria, né? Além de tudo, sou brasileira. Faço parte, com muito orgulho e propriedade deste povo improvisador. Equilibrista. No resumo: Artista!
De fé! Sou tão brasileira que me sinto a Branquinha de alma negra, com muito gosto, sim, Senhor! Papai e mamãe que me desculpem, mas, de europeu pouco tenho. Há não ser que vingue aqui muito do conhecimento intuitivo vindo do DNA do avô paterno, um cigano húngaro, em vez da disciplina, do planejamento e da organização germânica ou tcheca.
A herança do avô Alois é a que gosto de reconhecer porque me dá algumas boas explicações na vida. As outras qualidades familiares estou precisando usar urgente à partir deste ano que inicia, como nunca usei. Isto é uma promessa de Ano Novo.
Ao começar a escrever, de cara se instaurou uma sucessão ritualística para dar início a tudo. Outra vez. Mais uma vez. Criar uma nova pasta para as crônicas destinadas a 2010. Abrir uma subpasta. Recomeçar. Janeiro. Renascer. A página em branco. Refazer. Tudo o caminho com muita atenção. Buscando os sinais... E por falar nisto - embora saiba que não é - descobri o título somando, como fazem os numerólogos, chegando ao número da Trindade.
Fico feliz com a descoberta que se revela de excelente augúrio. É o Pai, o Filho e o Espírito Santo que confirma o meu sentimento Deles pertinho de mim.
Enquanto passa um flashback das últimas horas, últimos dias, vivencio um turbilhão de emoções... Passei por uma prova de vida e morte e saí ilesa, aliás, como qualquer um de nós que está agora lendo vivinho da silva. Li que os brasileiros estão mais otimistas para este ano redondo. Eu também, mas não exatamente por isso! Eles acreditam e confiam no Lula. Eu também, ainda acredito nele neste mundo de relatividades ... Segundo as pesquisas, os brasileiros enxergam um horizonte de luzes firmes na economia. Pressentem dias melhores...
A visão do Novo Ano ironicamente logo foi maculada nas primeira horas pela tragédia de Angra dos Reis, Ilha Grande, etc e tal. Foi muito mal entrar na rede nacional, na rede mundial, porque aqui na minha ilha particular, também há forças se degladiando mas, o bem esta vencendo! Sou perseverante e, reconheço, às vezes até persistente... creio em quase todas as promessas como crê uma menina. Talvez a explicação seja que aos 58 anos, ainda, não amadureci o suficiente para virar gente grande e deixar de acreditar.
A conexão da informação instantânea trouxe o sentimento da dor para o meu reveillon. Ver o sofrimento daquela gente – se quisermos nos colocar no lugar deles podemos sentir – nos faz chegar a mesma pergunta: Como? Por quê? Responder daqui de fora é muito mais fácil, sem dúvidas!
Vejo a desobediência entre os principais vilões. Eu a conheço desde jovem, dos tempos da instituída desobediência civil quando desobedecer era uma atitude do momento. A desobediência é, Inclusive, a vilã dos meus pecados. Embora exista desobediência e desobediência, naquele caso de Angra, não foram obedecidos os principais preceitos ambientais e deu no quê deu.
A armadilha estava criada porque havia gente morando ali há mais de 50 anos e nunca havia visto nada parecido. Aquele morro era simplesmente uma gigantesca pedra recoberta de vegetação acumulada ao longo do tempo que resolveu escorregar. E quê, esparrela!
Ao que parece, não existia nenhum estudo de segurança feito pelas autoridades.
No individual e no coletivo ainda estamos dormindo muito...Deixamos de estar espertos, atentos, orando e vigiando e fazendo as coisas como manda o figurino – usando a expressão do meu sábio pai - para afastar-nos do mal.
Enquanto isto em Paranaguá... aqui na terrinha estamos entrando no segundo ano do último mandato. Em 2012 estaremos fechando o famoso ciclo político dos 20 anos de mudanças proposto pelo grupo de Ogarito, Tortato e Baka (com o Roque no meio). Ainda teremos tempo para concluir, mas, já podemos começar – com justiça – separar o joio do trigo e perceber aquilo que resultará.
No plano estadual, digamos que passei umas horinhas de final de ano com o candidato ao governo, Orlando Pessuti e a esposa Regina, por conta da cobertura da Festa de Bodas de Prata da Cláudia e Sidnei Gomes de Souza, no Iate Clube de Guaratuba. (Para quem for checar no site, pedimos desculpas, mas, estamos atrasados, pois o nosso provedor esta fazendo a manutenção do sistema e deveremos estar assim ainda por uns dois dias. Para conferir, em partes, acesse o dollypolasek.blogspot.com.br ).
Pessuti chegou, chegando. De figura gigantesca, ereta e maciste como Obelix revelou a mais suave ternura à esposa Regina, num perceptível momento dos dois. Longe dela, ele deu toda a atenção disponível para todos como qualquer um numa campanha. A sós, dançando num cantinho mais afastado, era um homem enamorado. Gentil. Ao despedir-se da festa voltou à mesa de doces e, sem falso pudor, escolheu alguns para a sua envergonhada Regina degustar enquanto viajariam de volta.
Um candidato que promete, se analisado pelo comportamento familiar e parecer, de fato, com aquilo que deseja ser. Ninguém mais agüenta falsidade, pose, posse e circunstancia, e faz - de – conta... Nem a minha lente fotográfica!
Captar algo com o frescor da verdade sempre é bom principalmente nestes momentos de reinventar a vida.
FELIZ ANO NOVO PARA TODOS NÓS.





terça-feira, 14 de julho de 2009

CELSINHO LÜCK

Já que estamos falando de artistas, o nosso querido conterrâneo está muito feliz e, nós que o admiramos, também. Em breve, Celsinho estará nos brindando com um livro de fotografias e textos, aprovado pela Lei Rouanet, que vai divulgar a nossa cidade com esmero, muita poesia e beleza. Digno de uma cidade com tanta história e maravilhas naturais como a nossa.
O trabalho do artista recebeu o incentivo do TCP e da Unimed e, de tão bom que está, deixou patrocinadores, literalmente, a ver navios. Num suspiro, ou melhor, numa olhadinha, a cota de patrocinadores acabou. Isto por si só já é uma garantia da qualidade da obra que a nossa querida Paranaguá estará recebendo.
Lück continua sendo o mesmo garoto prodígio de olhar atento e foco engajado. Um menino que sobressaiu na época do rock e no auge da cultura americanizada fazendo exatamente aquilo que os demais deixavam para trás: destacou a nossa cultura popular com o seu premiado filme sobre o Mané da Paz, um feitor de instrumentos do nosso fandango.
Agora ele ressurge com este livro, que será mais um legítimo tributo à Paranaguá, que anda tão desgastada e carente. Celsinho virá para oferecer uma nova visão do território aos seus quase 160 mil habitantes, elevando a nossa auto-estima e contribuindo para a divulgação das nossas potencialidades turísticas e, especialmente, mostrando o olhar certeiro de um artista que tem o coração na retina.

ATENÇÃO, ARTISTAS PLÁSTICOS PARNANGUARAS!

Para a minha feliz surpresa, dia destes recebi um telefonema da amiga, Andréa Paula, que reside em Toronto, no Canadá. Andréa é uma legitima “bagrinha”, como ela própria de intitula, com muito orgulho. Filha do sr. Jorge e dona Elide Maccagi, esta parnanguarinha está circulando com desenvoltura no mundo das artes do hemisfério norte.
Entre seus contatos diretos estão Bill e Melinda Gates só para se ter uma idéia. O casal esta contribuindo com a moça para a inauguração de uma clínica, no Brasil, para autistas com quem Andréa trabalha em arte-terapia.
Além de artista conceituada, ela tem um escritório que representa autores brasileiros e de vários outros paises, o Andréa Paula Internacional Art Office. Atualmente o escritório está se preparando para uma grande feira internacional que vai acontecer em outubro, em Nova Iorque.
Durante uma entrevista para a Globo Internacional, no programa “Planeta Brasil” – voltado para divulgação de brasileiros que cresceram fora do país – Andréa foi convidada pelo consulado brasileiro de Toronto para representação destes artistas em todas as feiras internacionais dirigidas às grandes galerias. Estes eventos têm o aval da embaixada brasileira.
A razão de a Andréa ter me ligado é o desejo de representar artistas parnanguaras. Disse-me que não se conformava em ter inúmeros artistas internacionais e nenhum Bagrinho no seu rol. Fica aqui a dica para aqueles que se interessarem em fazer carreira no exterior. Quem quiser, passa um e-mail para a Andréa no ap.br@rogers.com e combina a questão.
http://www.sempalavras.com.br/site/galerias/108

terça-feira, 7 de julho de 2009

O SHOW PRECISA CONTINUAR

Liguei e olhei para a televisão e vi a imagem do Michael Jackson de braços abertos. Embora a cena remetia à crucificação, Michael, sorria feliz, completo... No palco, um dos irmãos cantava emocionado a música predileta dele – melosa e tocante como o autor - Charles Chaplim.
Uma estranheza invadiu o meu espírito. O quê significava aquilo? Os Beatles já haviam dito que eram mais populares que Cristo.
Será que vai ser um vale de lágrimas? Será que o sofrimento dele foi
tanto- Quanto?
Nunca! O ensaio do funeral estava mais para comédia do que tragédia. Muito emblemático: Será que acabou-se a era dos enterros sofridos? Até engraçado de ver milhares e milhares de fãs legítimos e os de última hora ostentando o bilhete premiado das exéquias. A alegria era contagiante. Até eu me arrependi de não ter tentado pegar o papel para guardar no meu bauzinho. Parecia que conseguir aquele ingresso histórico - para ver o enterro mais pop e retumbante do mundo – é de fato um símbolo, algo para marcar a era Jackson: a.MJ e d.MJ.
O tom do funeral estava diferente daquilo que se anunciava através dos preparativos, dos desencontros. O que eu vi foi que conseguiram fazer um ato solene, teatral e belo como convém a um tributo. Emocionante, principalmente porque foi um trabalho ou um acontecimento de resgate da imagem pública de alguém perante a humanidade ao vivo. (Não estou exagerando, não é mesmo? Afinal o mundo deveria estar interligado de cabo a rabo.)
O que vi foi um evento plasticamente lindo. Nobre e florido. Sóbrio. Comecei a gostar e, muito, daquilo que ouvia a Brooke Shields falando. Ela estava me apresentando um ser humano bonito e, creio, também desconhecido para a grande parte. A maioria de nós conhecia o outro lado da história. Aquele, que todos nós também sabemos e conhecemos neste mundo da mídia em busca de notícias sensacionalistas.
Durante as apresentações do evento, a criança Michael foi muito homenageada, projetada, paparicada e acarinhada, principalmente pela família. Depois da morte do cantor, foi uma over dose de notícias cheias de sofrimento do pequeno Jackson nas mãos do pai. Hoje, foi confortante vê-lo recebendo enfim: paz e doçura. (Lembro, nestes dias tão perversos, de Che Guevara e a sua frase, também, emblemática que nos avisava que poderíamos endurecer a luta, porém não deveríamos perder a ternura, jamais.)
Na seqüência vi e ouvi o depoimento dos filhos de Martin Luther King e foi grandioso ouvi-los falar. Os dois transmitiram a mesma ênfase e entusiasmo do pai pela humanidade.
Ser coroa tem algumas vantagens, entre elas ter ouvido o velho Luther King falando e nos contagiando. Aquele vozeirão bem entonado e claríssimo como água de fonte, o pai, nos encheu de sonhos e nos apontou direções. Foi por Martin Luther King, que tive uma das minhas primeiras discórdias com o Senhor Jesus Cristo, aos 14 anos, quando descobri a frase dele, na Bíblia, onde Ele se auto-intitulava o caminho, a verdade e a vida, e o chamei de “prepotente” sem saber que o Luther King, nada mais era do que um farol retransmitindo a luz do Mestre. Senti os jovens King fazendo o mesmo.
Eles nos apontaram o ideal do ser humano por trás de Michael - aquele que não conhecíamos - assim como não reconhecemos - muitas vezes – o humano da nossa própria casa e das esquinas da vida. Os King, com propriedade e o mesmo timbre paterno, tiraram a máscara do velho preconceito e nos fizeram questionar - afinal de contas - onde está a verdade? Aqui, em casa concordamos que é possível se relacionar amorosamente com crianças sem necessariamente rolar um segundo interesse.
Brincar ou não querer crescer é opção e, obviamente é bem melhor do que enfrentar as responsabilidades do adulto. Se pudesse também queria uma Neverland para guardar a infância que não volta jamais, como dizia o cruel e realista poeta.
Creio que depois de hoje saberemos a extensão do poder da mídia ( e do espetáculo) na mudança de conceitos.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Revivendo...


Os dias seguem o curso sob o sol. Do nada, se faz o riso ou o pranto. Por mais que me custe admitir Michael Jackson faz parte da minha vida. Sem dúvidas, a minha geração viu um imenso espelho midiático ser criado. De repente, todos, estávamos ligados na morte de Michael Jackson. Por mais que não estivesse a fim de evocar tristezas, fazer balanço, separar joio do trigo...fiquei comovida.
Creio, no fundo, não quis foi ver como resultou o mito e o que sobrou do frágil ser humano que nos representa por amostragem.
Optei em não ficar grudada na televisão, porém não pude deixar de ouvir o que se cantava e falava naquele dia 26, com sabor de nostalgia. Uma conexão intensa e emotiva me capturou.
Pude perceber, dos meus 57 anos 41, foram com ele dentro da minha geração, fazendo trilha sonora das nossas vida.
A notícia foi um momento de fazer reflexões. Será que parei para pensar e sentir o significado disto tudo personificado na efêmera figura humana do mito. De fato?
Longe da vã filosofia crepuscular sou levada pelo destino a falar do melhor lado dos fatos. Como jornalista sei que tudo tem dois lados; como fotógrafa: muitos. Descobri que havia muito mais vida na morte de Michael Jackson, do que poderia imaginar.
Enquanto estava sendo dada a notícia da morte do Rei do POP fui ao SESC ouvir sobre a criação da Câmara da Mulher Empreendedora e Gestora de Negócios. Apesar da noite fria e chuvosa, estávamos lá. Minha eterna “Melhor Amiga”, Célia Regina Pinho Schüller também estava. Ela veio de “guia” para a comadre curitibana, Betinha, abrir novas frentes para o FECOMÉRCIO em terras Carijó. Este foi a parte mágica.
No dia seguinte...
... Com Michael e Celinha voltei ao tempo. Voltei ao ontem. Fui para lá. Voltamos juntas. Voltei a perceber detalhes que já haviam sido. Esquecidos. Dentre tantas banalidades humanas e, principalmente das minhas, reconhecer o valor de um amigo verdadeiro é um bálsamo que refrigera e alimenta a alma de qualquer caminhante no meio deste gigantesco faz-de-conta de consumo e oportunismos descartáveis.





Celinha Pinho, com 1,50m - a Salário Mínimo e eu, 1,72m - a Custo de Vida, estávamos mais unidas do que nunca nestes, também, 41 anos de amizade - em parte - graças ao repertório dos Jackson Five e Michael Jackson. Com um som destes entrando pelos poros, fui selecionando cenas memoráveis do Hotel Central. Das festinhas. Da Praça Fernando Amaro. Do dancing day. Daquele cotidiano de final dos anos 60 e início dos 70, numa Paranaguá romântica.
Enquanto a Betinha mostrava as vantagens de estarmos unidas para fazer prosperar o sistema associativista, Celinha e eu, brindávamos a vida que nos unia, outra vez.
Nesse encontro, escolhemos a lembrança da partida de basquete como uma das nossas sacadas geniais: Durante os jogos de educação física, fazia escadinha para Celinha encestar. Independente das regras. Independente dos papéis. Juntas, éramos gigante. Ríamos e sabíamos que éramos felizes, sonhadoras e idealistas. Honestas!... Amigas, que aparecem de geração em geração. No momento certo. Na hora certa...
Depois de muitas décadas a Celinha veio, com toda propriedade que o amor dá, trazer uma resposta para uma das pergunta que move o mundo: Vale a pena?
Ela me contou de como a havia salvado de uma situação constrangedora que eu não lembrava. A professora estava passando um sabão daqueles porque ela não havia feito a tarefa e resolveu usá-la de mau exemplo. Celinha recordou que aquele momento foi um dos seus piores. Estava no fundo do poço, quando eu teria levantado e dito para a professora que também não havia feito o exercício.
Óh! Se foi: Que bom! Foi o melhor mau exemplo da vida.
Não lembro! Certamente foi uma escolha que eu fiz entre ficar “na minha” e expor a timidez. A recompensa veio, agora, num abraço imenso, infinito, ao som de Michael Jackson.
Forever!

(Texto mexido, inicialmente publicado na coluna Coisas de Mulher, da Folha do Litoral em 01/07/09)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A VOLTA DO ROQUINHO PAZ E AMOR?


Foi muito boa e prazerosa esta conversa com o recém empossado deputado estadual eleito pelo PSB e atualmente no PMDB de Paranaguá, Mário Manoel das Dores Roque.
Bom ouvir as palavras inteligentes de quem está dando um olé na vida. Merecidamente. Roque está voltando manso. (Serão eles - os mansos - que herdarão a terra?) Aparentemente Roque está em paz com ele e a vida. Amadurecido espiritualmente ou até mesmo: escaldado, popularmente falando.
Ele falou com a propriedade daqueles que se acreditam protegidos e agraciados por Deus. Lapidados na vida. Sabe que a sua vida daria um bom livro. De fato, ele tem ingredientes, que bem aplicados, podem render ótima leitura. Ele sabe que muito depende só dele a outra parte fica no encargo de Deus, da vida, da sorte...
Ele reconhece que na sua vida nada vem sem a luta. Sabe que tem estrela e sabe também que as suas conquistas só chegam depois da segunda tentativa. Confessou. Isto já se tornou regra. Se ele não consegue de primeira, não pendura a luva, sem uma segunda tentativa. Pelo menos. “Sou tinhoso”, ressaltou. Tanto que Roque pedia à Deus uma segunda chance para resgatar a sua história política iniciada, orgulhosamente, em sindicato e não “merecia acabar daquele jeito saindo quase como um vilão”, dizia o Roque.
Ele se esqueceu da minha presença e vai narrando as motivações, sinceros desejos de contribuir com Paranaguá e de como se fez um prefeito que revolucionou o perfil urbano da cidade. Narrava tin-tim por tin-tim. De como avançou em diversas frentes ao mesmo tempo. De como imprimiu um estilo bem assimilado pela comunidade. Porem, contudo, todavia...
Vai me contando tudo como uma grande novidade.
Durante a conversa, gostaria de avisar-lhe para pular aqueles trechos e avançarmos porque afinal estávamos ao celular... Impossível! Ele não queria me ouvir... Queria falar...
Ele me fez perceber que não estava falando para comover uma eleitora, mas, como um sincero desabafo para que eu pudesse partilhar a sua visão. Ele tem razão em muitas queixas. Tem trechos que são uma verdadeira sacanagem de estórias de traições e baixarias. “A política é a pior coisa que existe”, reconheceu.
Depois desta - quando nem túnel existia, que dirá a luz dando sinal - eis que o inesperado acontece e o Vermelho Roque ressurge imbuído de vida e graça.
A vermelha Fênix?
Não dá para deixar de reconhecer que o Roque tem uma bela Estrela. “Deus na frente”, lembra o Roque, que sabia que algo “iria acontecer para devolvendo-lhe a oportunidade de sair da política de cabeça erguida. A vida dá muitas voltas! ”
Sem mágoa, porem consciente de que estava deixando o palco à meia luz, não imaginava voltar (tão cedo) ao cenário, através de uma fatalidade viu-se na iminência e recebeu como Graça o mandato tampão.
Inicialmente, quando soube do acidente, segundo ele, pediu muito que não voltasse para a política com a morte do jovem deputado Carli Filho. Tal qual enredo de folhetim, no dia 29 de maio - dia do aniversário do Roque e depois de muito desgaste para a imagem - o deputado Carli Filho renunciou.
Creio que não seja de mau gosto dizer que houve aí um presente!
Como estava sendo esta volta? Tranqüila, respondeu o ruivo caiçara-zen. Longe das notícias, jornais, rádios, televisão o ex-prefeito de Paranaguá disse que passava seus dias na vidinha simples do interior da baia-mãe. Do jeito como gostava de ser. Longe de tudo e, principalmente longe das intrigas palacianas Longe do mundo “nojento” da política. Refletindo no destino. Repensando a vida.
A Deus pedia mais uma oportunidade para o homem público ser reconhecido por aquilo que fez. “Fui injustiçado” reclamou um Roque inconformado com o julgamento que estaria lhe cabendo na história, o de sair “como vilão” até ouvir a trágica notícia do acidente, enquanto pintava barcos em Ponta de Ubá. “O cargo tinha que ser meu” assumiu o deputado.
Desta vez o Roque não quis mandar avisar que chegou, fazer carreata e buzinaço, jantar...
Ele sabia que chegou e lhe bastou.
Dolly Polasek é jornalista e foi assessora de Comunicação Social nas gestões de prefeito Mário Roque, na Prefeitura de Paranaguá de Janeiro de 1997 até maio de 2002.